Por Que Sentimos Dor no Parto?
Entenda o Que Acontece com Seu Corpo

Sim, a dor do parto existe — e não há por que esconder ou negar isso. Mas entender como e por que ela acontece pode te dar mais segurança e confiança nesse momento tão especial: o nascimento do seu bebê.

Logo que uma mulher descobre que está grávida, seu principal desejo é garantir o melhor para o filho que está por vir. Mas quando chega a hora de decidir o tipo de parto, muitas gestantes brasileiras — mais da metade, segundo o Ministério da Saúde — optam pela cesariana. E um dos principais motivos é o medo da dor do parto normal.

Esse medo, muitas vezes, não é por acaso. Crescemos ouvindo histórias dolorosas de partos contadas por mães, avós e conhecidas. Além disso, filmes e novelas quase sempre mostram mulheres gritando e sofrendo, como se a dor do parto fosse incontrolável. Mas a verdade é: o parto normal não precisa ser uma experiência traumática.

Toda mulher tem o direito de viver esse momento com tranquilidade e o mínimo de dor possível. E para isso, informação é fundamental.

Afinal, por que sentimos dor durante o parto?

A dor do parto está relacionada às mudanças naturais que o corpo faz para permitir a saída do bebê. Durante o trabalho de parto, acontecem:

Contrações e dilatação do colo do útero — o útero se contrai e o colo vai se abrindo para a passagem do bebê;

Distensão do canal de parto — incluindo a vulva, o períneo (a região entre o ânus e a vagina) e a pelve;

Tração de órgãos e músculos próximos, como bexiga, uretra, reto e intestinos, que sofrem pressão conforme o bebê desce.

Essa dor costuma variar de intensidade ao longo das fases do trabalho de parto. No início, quando a dilatação ainda está no começo (menos de 3 cm), a dor se parece com uma cólica menstrual leve. À medida que a dilatação avança e o bebê começa a passar pela pelve, a dor pode se intensificar — especialmente na parte baixa das costas, no períneo e na região do ânus.

Além da parte física, o componente emocional também influencia muito. Medo, insegurança, tensão e ansiedade podem aumentar a percepção da dor. Por isso, o apoio emocional e um ambiente respeitoso e acolhedor fazem toda a diferença.

O que você precisa saber é: você pode sentir menos dor.

Hoje, existem diversos recursos para aliviar a dor do parto, como massagens, banhos mornos, técnicas de respiração, apoio de doulas e também a analgesia — um tipo de anestesia segura que pode ser usada durante o parto normal.

O importante é saber que o parto não precisa ser sinônimo de sofrimento. Informar-se, conversar com profissionais de saúde de confiança e conhecer os seus direitos são passos fundamentais para viver esse momento com mais segurança, autonomia e serenidade.

Seu corpo é capaz. E você tem o direito de viver o parto com respeito, dignidade e, sempre que possível, sem sofrimento.

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