Quando não é possível fazer a anestesia raque ou peridural?
Entenda as contraindicações de forma clara e tranquila.
Durante o preparo para o parto — seja normal ou cesárea —, muitas de vocês ouvirão falar sobre as anestesias “raque” e “peridural”. Elas são técnicas seguras e muito utilizadas para controlar a dor com conforto e consciência, permitindo que você participe ativamente desse momento tão especial.
Mas como todo procedimento médico, há algumas situações específicas em que não é possível ou não é seguro realizar esses tipos de anestesia. Isso não deve causar preocupação, mas sim trazer informação. O mais importante é que sua equipe médica sempre buscará o caminho mais seguro e adequado para você e seu bebê.
Vamos explicar de forma simples:
Quando a anestesia regional não pode ser feita de jeito nenhum (contraindicações absolutas):
São casos raros, mas importantes, nos quais o procedimento não pode ser realizado de forma alguma, por risco à saúde da mãe ou do bebê. Os principais são:
1. Impossibilidade de comunicação com a paciente — como em casos de:
Transtornos psiquiátricos não tratados,
Dificuldades mentais graves,
Dificuldade de compreensão do procedimento (como com idioma estrangeiro sem tradução),
Emoção descontrolada que impeça a colaboração da gestante.
2. Pressão arterial muito instável ou em queda (instabilidade hemodinâmica) — o que pode agravar com o uso da anestesia.
3. Problemas graves de coagulação do sangue, como:
Uso de anticoagulantes,
Plaquetas muito baixas (menos de 80.000),
Alteração do exame de coagulação (INR > 1,3).
4. Alergia confirmada ao anestésico local.
5. Doenças cardíacas graves e descompensadas, que não toleram a alteração de pressão causada pela anestesia.
6. Infecção na pele onde a anestesia seria aplicada — isso evita que a infecção vá para dentro do corpo.
7. Infecção generalizada (sepse) ou febre com bactérias na corrente sanguínea.
8. Tumores na medula ou no cérebro com pressão elevada.
9. Recusa da paciente — a escolha da mulher é soberana.
10. Inexperiência do profissional com o procedimento — segurança sempre vem em primeiro lugar.
E quando pode ou não pode? (Contraindicações relativas)
Existem outras situações em que o bloqueio pode ser feito, mas depende da avaliação caso a caso, como:
Alterações na coluna (ex: escoliose, cirurgias anteriores),
Pressão alta grave,
Desproporção grave entre a cabeça do bebê e a pelve da mãe (o que pode levar à cesariana planejada).
Nestes casos, o anestesiologista irá avaliar cuidadosamente e, se possível, adaptar a técnica ou propor outra forma de analgesia.
O que você deve saber?
Você não precisa decorar essas informações, mas sim ter confiança de que sua equipe está preparada para fazer o melhor por você. Caso você tenha alguma condição de saúde, informe ao médico anestesiologista. Ele ou ela explicará suas opções com cuidado, sempre buscando a técnica mais segura e confortável para você e seu bebê.

