A História da Cesariana
Como Surgiu e Por Que Está
Tão Comum Hoje em Dia
A cesariana, ou cesárea, é uma das cirurgias mais antigas que se conhece. Lá no comecinho, ela só era feita quando a mulher já tinha morrido, como uma tentativa de salvar o bebê. Isso era uma exigência de uma antiga lei romana chamada “lex cesárea”. A primeira cesárea feita com sucesso em uma mulher viva aconteceu no ano de 1500, feita por um homem chamado Jacob Nufer, na Suíça. Naquela época, não existia anestesia, e a cirurgia era extremamente arriscada.
Por cerca de 200 anos, a cesárea foi feita cada vez mais, mas ainda de forma muito perigosa. Um dos principais problemas era que os médicos não costuravam o útero depois do corte, o que causava infecções e muitas mortes. Só em 1882 passaram a dar pontos no útero, e isso salvou muitas vidas.
Com o passar do tempo, a cesárea se tornou cada vez mais comum. Em 1986, por exemplo, 32% dos partos no Brasil eram feitos por cesárea. Hoje, esse número é ainda maior. Em 2023, quase 60% dos partos no país foram cesarianas. Em hospitais particulares, esse número é ainda mais alto: cerca de 86% dos partos são cirúrgicos.
No mundo todo, a taxa média de cesáreas também está subindo. Em 2018, cerca de 21% dos partos foram cesáreas, e esse número continua crescendo, especialmente em países de renda média e alta.
Mas por que tanta cesárea?
Alguns motivos ajudam a explicar esse aumento:
Hospitais particulares costumam marcar cesáreas com hora marcada, o que é mais prático para médicos e clínicas.
Muitas gestantes têm medo da dor do parto normal e não recebem informação suficiente sobre o que esperar ou sobre opções de alívio da dor.
Falta de apoio emocional e físico nas maternidades públicas faz com que algumas mulheres se sintam inseguras com o parto normal.
A pandemia da COVID-19 também contribuiu, já que muita coisa mudou nos hospitais, aumentando a insegurança das gestantes.
Existe uma cultura que vê a cesárea como mais moderna e segura, embora nem sempre isso seja verdade.
E o que isso tudo causa?
Apesar de a cesárea ser uma cirurgia que salva vidas quando realmente necessária, o uso exagerado dela pode trazer riscos para a mãe e o bebê. Entre eles: infecções, sangramentos, complicações respiratórias para o bebê e até nascimentos prematuros, já que muitos bebês acabam nascendo antes das 39 semanas.
Felizmente, programas como o “Parto Adequado”, criado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vêm mostrando bons resultados. Ele ajuda hospitais a oferecer um atendimento mais humanizado e seguro, reduzindo o número de cesáreas desnecessárias.
No fim das contas, o mais importante é que cada mulher tenha acesso à informação, segurança e liberdade de escolha. A cesárea pode ser essencial em muitos casos, mas o parto normal, quando bem acompanhado, também é seguro e cheio de benefícios. A decisão deve ser baseada na saúde da mãe e do bebê — e não em pressa, medo ou conveniência.

