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Métodos de Analgesia

Farmacológicos

Anestesia geral
A anestesia sistêmica para o alívio da dor do parto foi usada pela primeira vez em 1847 por Simpson com o éter. Este método foi abandonado devido aos efeitos depressivos que causava no feto e na mãe. Apesar disso, a anestesia sistêmica é utilizada em algumas situações, como contra-indicações para uso de anestesia regional, e em casos em que não há disponibilidade de recursos para a analgesia, como em hospitais de pequeno porte.

Bloqueios regionais
A partir de 1970, houve aumento acentuado e progressivo da aplicação da analgesia regional para o controle da dor do trabalho de parto. Ela apresenta vantagens sobre a sistêmica por promover alívio completo da dor de forma seletiva, sem causar depressão materna ou neonatal, por permitir que a mãe fique acordada e participe ativamente do parto, além de não interferir na evolução do parto.

Bloqueio paracervical
Na década de 1950, o bloqueio paracervical era a técnica regional mais popularizada para diminuir a dor no primeiro estágio do trabalho de parto. Porém, estudos mostraram que ela estava associada à depressão neonatal e complicações no recém-nascido como punção do couro cabeludo e bradicardia fetal, por isso foi substituída pelo bloqueio espinhal. Apesar desta restrição, alguns países ainda utilizam-na largamente, como a Finlândia, onde 24% das parturientes recebem analgesia paracervical.

Bloqueio do nervo pudendo
Normalmente, o bloqueio do pudendo é realizado pelo obstetra, pouco antes do nascimento, em parturientes que não receberam anestesia peridural, raquianestesia ou bloqueio combinado. O nervo pudendo é formado por fibras que transmitem os impulsos dolorosos do segundo estágio do parto por distensão da vagina, da vulva, do períneo e do reto. Para se aplicar a anestesia no nervo é utilizada a via transvaginal, promovendo o efeito adequado na região do períneo, e possibilitando parto com episiotomia e fórceps. Os inconvenientes desta técnica incluem: analgesia insuficiente para revisão do canal de parto e do útero, elevado índice de falha e uso de maior quantidade de anestésico local do que na raquianestesia. As complicações maternas e neonatais são raras. A principal complicação é a toxicidade pelo anestésico local. Diante desse risco, todo o aparato para reanimação cardiorrespiratória deve estar preparado previamente ao bloqueio.

Raquianestesia
A raquianestesia consiste na aplicação da anestesia na região dorsal (nas costas). Muito popularizada no passado, durante o trabalho de parto ela é aplicada no período expulsivo e em dose única. Porém, atualmente também é receitada no primeiro estágio. Este método apresenta como vantagens a facilidade de aplicação, o curto período de latência, a constância dos resultados e as mínimas concentrações fetais e maternas da solução anestésica.

Analgesia Combinada Raquiperidural
A técnica combinada para a analgesia de parto é o avanço mais recentemente incorporado à anestesia obstétrica. Esta técnica popularizou-se no final da década passada, mas ainda não é de domínio de todos os anestesiologistas obstétricos. Apresenta como vantagem o rápido início de ação com injeção de solução anestésica no espaço subaracnóideo, onde se encontra o líquor (líquido em volta da espinha), e flexibilidade através do cateter peridural, podendo promover analgesia de longa duração ou conversão da anestesia para parto cesárea. A técnica combinada pode ser aplicada a qualquer parturiente em trabalho de parto com dor, mais especificamente, àquelas que estão no início ou em fase avançada do parto, onde o resultado é melhor.

Analgesia Peridural Contínua
A analgesia peridural contínua é considerada uma técnica muito efetiva e inócua para promover o alívio da dor do trabalho de parto e do parto. Porém, atualmente ela vem cedendo espaço para a analgesia combinada. A qualidade da analgesia é superior a outras técnicas de administração sistêmica, e a injeção titulada da solução anestésica confere grande flexibilidade para os diferentes estágios do parto, inclusive para a conversão para parto por via abdominal. Permite a percepção da contração uterina, sem dor, e preserva o tônus da musculatura abdominal e pélvica, características consideradas ideais para analgesia de parto. Esta técnica tem ampla indicação, inclusive para parturientes graves, como nas cardiopatas e pré-eclâmpticas, que se beneficiam da analgesia precoce, evitando sobrecarga do sistema cardiovascular. A analgesia peridural também é útil para coordenar as contrações uterinas, em presença de distócia hipertônica.

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