O Parto Normal
O parto normal, ou dentro dos termos da medicina - parto vaginal, é o método mais antigo em prática. Porém, a sua história de anestesia começa por volta de 1847, quando o professor Sir. James Young Simpson administrou éter para aliviar a dor do parto. Na época, ele enfrentou intensa oposição da Igreja e também de obstetras, mas continuou promovendo o método. Somente em 1853 é que esta prática foi respeitada e aceita, quando John Snow aplicou clorofórmio na rainha Vitória, para o nascimento de seu oitavo filho, o príncipe Leopoldo. Porém, esta técnica de anestesia tinha contra-indicações. O clorofórmio, principalmente, causava hipotonia, hemorragia e depressão fetal.
Com a evolução da medicina, entram em cena outros métodos de anestesia, como o bloqueio regional e a raquianestesia. Só que a taxa de mortalidade com esta técnica foi elevada, o que resultou no abandono do alívio da dor do parto até 1950. Este período ficou conhecido como um dos piores da anestesia obstétrica.
Entre 1940 e 1950 foram introduzidos alguns anestésicos locais, como a lidocaína e a cloroprocaína, dando início ao uso da analgesia espinhal na obstetrícia. Outro fator importante foi a descoberta, em 1950, da bupivacaína, agente com propriedade ideal para analgesia eficiente e bloqueio motor discreto, eliminando os efeitos colaterais no bebê. No Brasil, o primeiro relato de anestesia com cateter peridural lombar é de 1962, com o Dr. Reis Júnior.
O marco decisivo para o avanço da analgesia, especialmente a obstétrica, foi a descoberta dos receptores opióides, em 1970. Este fato contribuiu para transformar a anestesia em analgesia de parto. A associação de opióides com pequenas doses de anestésico local promove analgesia eficiente e discreto bloqueio motor, permitindo a deambulação, ou seja, que a paciente consiga caminhar, tanto na técnica de bloqueio combinado raquiperidural quanto na peridural contínua.
Assim como em outros países, a técnica de anestesia passou a ser domínio dos anestesiologistas brasileiros a partir da década de 1980, pela técnica peridural lombar em administração única ou contínua (que acompanha todo o trabalho de parto). A partir do ano 2000, além do domínio da analgesia peridural contínua, a técnica combinada raquiperidural passou a fazer parte da analgesia de parto no Brasil. Esta técnica contribuiu para a compreensão e a importância da administração de soluções diluídas e tituladas de anestésicos locais associados aos opióides.
Hoje, a anestesia ajuda mulheres no mundo todo a enfrentarem este importante momento sem dor.